Cerâmica Assunção (Aquiraz/Ceará), do Grupo Tavares, conquistou os créditos de carbono a partir de projeto ambiental que substitui a lenha por biomassa renovável na queima da cerâmica vermelha.
Investir em tecnologia ambientalmente responsável para o Grupo Tavares, detentor da cerâmica Assunção (Aquiraz/CE), tornou-se além de uma postura empresarial um negócio no mercado internacional. A empresa acaba de comercializar com o banco norte-americano J.P. Morgan o valor de 71.036 VER’s (Unidades de Redução de Emissões Verificadas) referentes a um crédito de carbono oriundo de projeto ambiental desenvolvido pela cerâmica. A expectativa é que este projeto evite a emissão de 568 mil toneladas de CO² na atmosfera nos próximos dez anos.
A comercialização internacional de créditos de carbono iniciou em 2005, resultado das resoluções acordadas pelos países signatários do Protocolo de Kyoto. Na lógica do mercado de carbono, as empresas que passam a emitir menos gases poluentes podem vender créditos às demais, tendo como objetivo estimular todo mundo a começar a pensar como reduzir as emissões. Atualmente, a comercialização de créditos de carbono se revela uma tendência irreversível no mercado e um passaporte para a economia sustentável.
Nesse caminho para a construção de uma economia sustentável, destacam-se iniciativas como a da cerâmica Assunção. Ao desenvolver um projeto ambiental com iniciativa e recursos próprios, a cerâmica cearense está protegendo o meio ambiente, ajudando a cumprir as metas internacionais de emissão de gases poluentes na atmosfera e ainda está se capitalizando para realizar novos investimentos ambientais a partir da comercialização dos créditos de carbono.
De acordo com Lourival Tavares, diretor do Grupo Tavares, o projeto ambiental da cerâmica Assunção destaca-se por adotar um sistema de produção que substitui a lenha na queima da cerâmica por combustível feito a base da mistura de resíduos de bagaço de cana, casca de castanha de caju, borra da mamona, quenga de coco, oiticica e pó de serragem. “Semanalmente, utilizamos em média 3.400 kg dessa mistura na queima da cerâmica. A vantagem é que esses resíduos são renováveis e facilmente encontrados no Ceará. E antes dessa finalidade ecológica eram simplesmente descartados pelas indústrias”, reforça.
Lourival Tavares conta que, com os recursos adquiridos na transação comercial dos créditos de carbono com o J.P. Morgan, o Grupo Tavares incrementará o projeto ambiental que já estava sendo expandido para a unidade de Itaitinga com recursos próprios e nos mesmos moldes da cerâmica Assunção. Naquela unidade, já estão em funcionamento novos equipamentos que permitem o sistema de queima com a biomassa renovável. “Também já está em funcionamento um novo forno, que batizamos de Liberola e que permite o reaproveitamento de até 75% do calor nas diversas câmaras de combustão existentes nele. Isso significa que economizaremos em até 75% o combustível renovável utilizado”, complementa Lourival Tavares, também diretor do Grupo e administrador direto da cerâmica Assunção.
Além de incrementar o projeto ambiental na unidade de Itaitinga e dar continuidade à política de preservação ambiental e de sustentabilidade do Grupo Tavares, os recursos provenientes da comercialização dos créditos de carbono com o J.P. Morgan serão aplicados na reforma de moradias, incentivo ao esporte e na construção de uma biblioteca infantil dentro da cerâmica Assunção. “Tudo para beneficiar a comunidade do entorno da cerâmica, pois entendemos que um projeto ambiental precisa estar diretamente ligado a ações de cunho social”, destaca Lourival Tavares.
Filosofia ambiental
A filosofia ambiental é uma postura adotada pelo Grupo Tavares desde 2006 e perseguida bem antes desta data. Ainda em 1993, Lourival Tavares, diretor do Grupo Tavares e administrador direto da cerâmica Assunção, iniciou os estudos de utilização de energia vegetal renovável em substituição à lenha. Até que no início de 2006 chegou-se à mistura ideal de biomassa renovável o que possibilitou na posterior substituição integral da lenha por essa mistura na cerâmica Assunção.
Sobre a parceria com a Carbono Social
A Carbono Social é a instituição que presta serviço de consultoria ao Grupo Tavares no processo de aperfeiçoamento do projeto ambiental de substituição da lenha por biomassa renovável no processo de queima da cerâmica. Foi a Carbono Social que atuou na verificação e comercialização dos créditos de carbono da cerâmica Assunção, com parceria desde o final de 2006. Como o processo requer diversas auditorias e fiscalizações rigorosas para comprovar a veracidade do projeto ambiental, feitas por empresas internacionais como a TÜV NORD (credenciada como Entidade Operacional Designada), houve uma demora para se concretizar a comercialização do carbono, só sendo possível agora no início de 2010. Essa fiscalização, por vezes burocrática, existe para evitar que o mesmo crédito não seja comercializado mais de uma vez.
Sobre o Grupo Tavares
Com 37 anos de trajetória no mercado e sede em Itaitinga (Região Metropolitana de Fortaleza), o Grupo Tavares possui 21 unidades produtivas distribuídas nos municípios cearenses de Aquiraz (12), São Gonçalo do Amarante (03), Caucaia (02), Itaitinga (03) e Horizonte (01). Com uma variedade de mais de 50 produtos ativos, estas unidades têm capacidade máxima produtiva de 120 milhões de peças/mês. Juntas geram mais de 1.300 empregos diretos e quase 1.000 indiretos. O Grupo também tem negócios ligados a postos de combustíveis, agropecuária e extração mineral – todos interligados estrategicamente com processo cerâmico.
Entenda o mercado de carbono
1997 – Assinatura do Protocolo de Kyoto, que prevê a redução dos gases de efeito estufa.
2000 – Criação do Prototype Carbon Fund, primeiro fundo destinado à compra de créditos de carbono. Resultante de uma parceria entre 17 companhias e seis governos. O PCF é administrado pelo Banco Mundial.
2002 – Criação do The UK ETS, primeiro esquema de comércio de emissões do mundo, no Reino Unido.
2003 – Início das operações da Chicago Climate Exchange (CCX), a primeira bolsa do mundo a negociar reduções certificadas de emissões de gases do efeito estufa no mercado voluntário.
2005 – Governo do estado australiano de New South Wales introduz um esquema de comércio de emissões atrelado à concessão de licenças para concessionárias de energia.
2005 – Protocolo de Kyoto entra em vigor com a ratificação da Rússia, mas sem a participação dos Estados Unidos, detentor do maior volume de emissões.
2005 – Lançamento da Asia Carbon Exchange, primeira bolsa de valores do mundo a comercializar créditos de carbono em uma plataforma on-line.
2008 - Bolsa de Mercadorias & Futuros realiza 1° leilão de créditos de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo a partir de emissões evitadas pelo Projeto Bandeirantes de Gás de Aterro e Geração de Energia.
Fonte: http://www.ideiasocioambiental.com.br/index.php
Cerâmicas que comercializaram carbono com o JP Morgan/2010
- Assunção (CE), Barbosa (PA), Barro Forte (PE), Bom Jesus (PE), Cavalcante (PA), Cenol e Telha Forte (PA), Guaraí (RJ), Itabira (RJ), Santa Izabel (RJ), JL Silva (PE), Kamiranga (PA), Lara (SP), Menegalli (PA), Panorama (SP), Pôr do Sol (SP), Santorini (MG), Sol Nascente (SP), União e Dois Companheiros (SP) e Velotex (SE).
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Fonte: Caramelo Comunicação